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Estudo técnico defende túnel submarino entre Santos e Guarujá, só para automóveis e ônibus Imprimir
O túnel submarino entre Santos e Guarujá, que o Governo do Estado planeja construir como opção ao sistema de travessias de balsas, deve ser exclusivo para veículos leves e ônibus, deixando de fora caminhões. A restrição é defendida no estudo técnico elaborado pelo Instituto Metropolitano de Pesquisas Acadêmicas e Consultoria Técnico-Operacional (Impacto) com o apoio de universidades da região.
O documento traça todo histórico do projeto (previsto desde 1947) e analisa outros túneis submarinos construídos no mundo. A versão completa do estudo será debatida em audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa da Construção do Túnel, da Assembléia Legislativa. O evento será na próxima quinta-feira, dia 10, às 19 horas, na Universidade Católica de Santos (UniSantos), na Rua Carvalho de Mendonça, 144.

Com base no estudo, o presidente do Impacto, deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), considera "logisticamente inviável" compartilhar automóveis e caminhões em um mesmo projeto. "O túnel para transporte de cargas deverá estar vinculado à expansão do porto na Ilha Barnabé (Projeto Barnabé-Bagres) ou mesmo em outros traçados já discutidos ao longo de décadas, como nas regiões do Valongo e Outeirinhos. É uma obra completamente distinta da que está em discussão".

Diante dessa incompatibilidade técnica e logística, o levantamento aponta a necessidade de dois projetos específicos: um para o transporte de pessoas e outro para o de cargas. O túnel da área portuária seria específico para caminhões. "Na hipótese de oferecer acesso a veículos leves, estaríamos criando um túnel de problemas", justifica o coordenador da pesquisa e diretor do Impacto, o professor Hélio Halitte, da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).


- Traçado:

A partir da análise histórica do projeto e das opiniões de especialistas em obras submarinas, o estudo recomenda a construção dos acessos ao túnel nas avenidas Saldanha da Gama (Santos) e Adhemar de Barros (Guarujá). As duas vias já são utilizadas na interligação por balsas.

O traçado proposto historicamente faz parte de um acesso consolidado e consagrado na interligação entre as duas cidades. "Não seria, portanto, recomendável alterá-lo e interferir em áreas que já estão seriamente comprometidas com a movimentação portuária", pondera Halitte.

A sugestão observou ainda questões ambientais e econômicas. Como o túnel ficará em uma região de alta valorização imobiliária, a opção defendida no estudo prevê um número reduzido de desapropriações de imóveis, o que resultará em um gasto menor com o pagamento de indenizações.

Outro fator que pesou na opção foi o impacto urbanístico da obra. De acordo com a pesquisa de opinião pública feita pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), a maioria dos entrevistados acredita que o túnel ajudará a impulsionar a atividade comercial, além de revitalizar e valorizar as áreas atendidas pelo traçado.


- Tecnologia garante bicicletas no túnel:

Não será por restrições técnicas que as bicicletas deixarão de utilizar o túnel. O estudo realizado pelo Instituto Impacto confirma a existência de tecnologia que permite o acesso de ciclistas na interligação submarina. A proposta apresentada no relatório sugere uma pista exclusiva para bicicletas, além de quatro faixas de rolagem (duas para cada sentido de direção) para veículos de passeio, motos e ônibus.

Presidente do Impacto e da Frente Parlamentar em Defesa da Construção do Túnel, o deputado Paulo Alexandre Barbosa afirma que o modelo de ciclovia estará entre os temas de discussão da audiência pública que será promovida na UniSantos.

"O acesso de ciclistas é perfeitamente viável, mas alguns aspectos devem ser observados no projeto. Uma das recomendações está no sistema de ventilação e exaustão de ar, que precisa ser reforçado", observa Paulo Alexandre.

Amparado pelo resultado da última pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), encomendada pelo Impacto, o parlamentar diz que a ciclovia no túnel é estratégica. "Oito em cada dez entrevistados querem o acesso de bicicletas ao túnel. É uma reivindicação que deve ser respeitada no projeto", disse o presidente.

No Mass Rotterdam Tunnel, na Holanda, pedestres e ciclistas têm acesso por escadas rolantes. Inaugurado em 1942, o túnel tem 1,5 km de extensão, sendo 880 metros sob o Rio Mass, a uma profundidade de 20 m. Diariamente, 75 mil veículos cruzam o Rio Mass pelo túnel, uma grande parte é de ciclistas.

Para o professor Hélio Halitte, coordenador da pesquisa, o túnel holandês pode servir de referência ao projeto que será elaborado pelo Governo do Estado. Ele defende uma reunião dos ciclistas com os responsáveis pelo projeto para garantir que a obra atenda as necessidades de um número maior de pessoas.

"Existem algumas semelhanças entre o túnel da Holanda e a proposta que está em discussão na região, como a distância e a profundidade. Porém, a necessidade de atender os ciclistas é o ponto em comum, considerando que mais de 12 mil bicicletas utilizam diariamente a travessia de balsas entre Santos e Guarujá", explica o professor da Unimes.


- Tempo de travessia cairá para 1 minuto:

O tempo de travessia entre Santos e Guarujá será de apenas um minuto com a construção do túnel submarino, de acordo com o estudo feito pelo Instituto Impacto. Atualmente, a espera média é de 20 minutos. Na alta temporada, o usuário do sistema de balsas chega a aguardar mais de uma hora no percurso entre as duas cidades.

Além da redução do tempo gasto no deslocamento e do fim dos congestionamentos e confusões nas filas de acesso às embarcações, haverá redução dos níveis de poluição dos automóveis. E diminuição de ruídos de motores e buzinas de veículos que utilizam o sistema de balsas.

A interligação submarina contribuirá ainda para a queda da emissão de agentes poluentes originários da queima do combustível das embarcações. Com a conseqüente redução do número de balsas a partir da construção do túnel, a expectativa é que haja menos casos de vazamento de óleo nas operações de travessia.

O estudo considera que o túnel pode influenciar na diminuição dos riscos de acidentes entre as balsas e os navios cargueiros. Até 2011, a capacidade operacional do Porto de Santos deverá triplicar, passando de 300 milhões de toneladas/ano. Com isso, haverá aumento fluxo marítimo no local da travessia e, consequentemente, maiores chances de colisão.


- Impacto:

A partir do traçado proposto, entre as avenidas Saldanha da Gama (Santos) e Adhemar de Barros (Guarujá), o relatório avalia um mínimo impacto ambiental com a realização da obra. Ressalva, porém, que deve haver rigor na remoção e destinação do lodo e do solo submarino.

Fonte: http://www.estradas.com.br/
 


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